Luan
Vitor morreu ao ser baleado por policial em maio do ano passado.
Após audiência, juiz determinou a remarcação da reconstituição do crime.
Hilma diz que a dor da família continua a mesma: 'Buraco no peito' (Foto:
Fernanda Borges/G1)
A
família de Luan Vitor de Oliveira e Sousa, 20 anos, que foi assassinado em maio
do ano passado durante um show na Pecuária de Goiânia, participou
nesta semana da audiência de instrução para o julgamento do policial civil Levy
Moura de Sousa, acusado de efetuar o disparo que matou o jovem. Mãe da vítima,
a comerciante Hilma Ramos de Oliveira Sousa, 43, disse ao G1 que espera que
justiça seja feita. "É um sofrimento dia após dia".
Ela
cobra agilidade no andamento do processo. “Essa foi a primeira vez, desde o
crime, que o Levy foi ouvido pelo juiz. Ele [réu] arrastou ao máximo esse
depoimento e, finalmente, agora ele poderá ser julgado. Sei que nada vai trazer
o Luan de volta, mas vê-lo condenado será um alívio”, afirmou.
Hilma
conta que, mesmo após 10 meses da morte do filho, a dor da família permanece a
mesma. “Até hoje não consegui me desfazer das coisas dele e o quarto permanece
intacto. Entro lá apenas para fazer a limpeza e sei que não faz sentido manter
tudo ali. Mas ao mesmo tempo também não consigo tirar nada. O buraco no peito é
grande demais”, ressaltou a mãe.
Luan
morreu no dia dia 18 de maio do ano passado, durante um show do cantor Lucas
Lucco, na Exposição Agropecuária de Goiás. Imagens
gravadas por um cinegrafista amador, que não quis se identificar, mostram como
o crime aconteceu (assista abaixo). No vídeo, três homens aparecem em luta,
no meio da arena do Parque de Exposições. Segundo Levy relatou à polícia, ele e
o filho tentavam imobilizar um homem, apontado como amigo de Luan, que teria
roubado a câmera fotográfica da namorada do policial.
A vítima só aparece nas imagens pouco antes de ser baleada com um tiro no peito. O jovem chegou a ser socorrido, mas morreu no Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo).
A vítima só aparece nas imagens pouco antes de ser baleada com um tiro no peito. O jovem chegou a ser socorrido, mas morreu no Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo).
A
mãe de Luan diz que o que mais dói é saber que o policial acusado pelo crime
está solto e trabalhando. “Ele passou poucos dias preso e responde em
liberdade. Sei que ele está de volta à função e isso machuca muito, pois a vida
dele segue normal. Até na internet já vi ele postando fotos, todo feliz com a
família. E a gente aqui, arrasado com o que aconteceu. Todos os dias eu sofro,
perdi a vontade de trabalhar, de sonhar, perdi minha identidade. É como se eu
não vivesse mais, apenas existisse”, desabafou a mulher.
Hilma
disse que não conseguiu ir até a audiência de instrução realizada no último dia
18, no Fórum de Goiânia, mas foi representada pelo marido e pela sogra. “É um
desgaste muito grande ter que relembrar de tudo o que aconteceu. Participei de
duas audiências anteriores, mas desta vez minha angústia foi tão grande que não
consegui ir lá e ver o Levy depor. Minha sogra ficou transtornada e chegou a
tentar agredi-lo, mas ainda bem que ela não perdeu a razão”, contou.
De acordo com a assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO), o juiz Lourival Machado da Costa, que analisa o processo, concluiu na audiência a oitiva das testemunhas e do réu. Ele solicitou ao Instituto de Criminalística de Goiás que seja remarcada a reconstituição do crime, que já havia sido solicitada durante o inquérito policial, mas não chegou a ser realizada. Ainda não há uma data definida para o procedimento.
De acordo com a assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO), o juiz Lourival Machado da Costa, que analisa o processo, concluiu na audiência a oitiva das testemunhas e do réu. Ele solicitou ao Instituto de Criminalística de Goiás que seja remarcada a reconstituição do crime, que já havia sido solicitada durante o inquérito policial, mas não chegou a ser realizada. Ainda não há uma data definida para o procedimento.
Defesa
O advogado de defesa de Levy Moura, Thales José Jayme, informou ao G1 que as imagens das câmeras de segurança já mostram claramente o que aconteceu, mas que tanto ele quanto a acusação acharam pertinente solicitar a reconstituição. “Está claro o que aconteceu lá, mas é bom que esse passo seja efetuado para evitar brechas processuais no futuro. O Levy agiu em legítima defesa e não existem motivos para mudar qualquer versão dos fatos”, destacou.
O advogado de defesa de Levy Moura, Thales José Jayme, informou ao G1 que as imagens das câmeras de segurança já mostram claramente o que aconteceu, mas que tanto ele quanto a acusação acharam pertinente solicitar a reconstituição. “Está claro o que aconteceu lá, mas é bom que esse passo seja efetuado para evitar brechas processuais no futuro. O Levy agiu em legítima defesa e não existem motivos para mudar qualquer versão dos fatos”, destacou.
Thales
diz que o policial nunca teve a intenção de matar Luan e acredita na
absolvição.
“O caso teve muita repercussão e acho difícil que o juiz deixe de
indicar o Levy, mas acreditamos que ele não vai ser responsabilizado pelo
crime. O rapaz [Luan] estava no lugar errado, na hora errada e com as
companhias erradas e acabou baleado. Meu cliente estava no meio de uma briga e
só queria proteger sua família, por isso foi uma fatalidade.”
O policial chegou a ser preso na ocasião do crime, mas foi solto pela Justiça 20 dias depois. O advogado ressalta que Levy foi liberado para voltar ao trabalho, mas que atua na área administrativa da Polícia Civil. “O juiz determinou a soltura, mas o proibiu de portar armas até a conclusão do caso. Nós sabemos que a vida de um rapaz foi ceifada e respeitamos a dor da família, mas o Levy também teve um transtorno muito grande e sofre até hoje com o que aconteceu”, afirmou.
O policial chegou a ser preso na ocasião do crime, mas foi solto pela Justiça 20 dias depois. O advogado ressalta que Levy foi liberado para voltar ao trabalho, mas que atua na área administrativa da Polícia Civil. “O juiz determinou a soltura, mas o proibiu de portar armas até a conclusão do caso. Nós sabemos que a vida de um rapaz foi ceifada e respeitamos a dor da família, mas o Levy também teve um transtorno muito grande e sofre até hoje com o que aconteceu”, afirmou.
A
mãe de Luan acredita que o policial será levado a júri popular. “Todos ao meu
redor garantem que existem provas suficientes de que Levy matou meu filho sem
motivos. Só vou ter um alívio no coração no dia em que ele for preso e seja
impedido de trabalhar como policial civil. É um absurdo que ele ainda possa ser
uma autoridade e espero que ele pegue todos os anos de cadeia possíveis”,
concluiu Hilma.
Denúncia
No dia 10 de junho, o Ministério Público de Goiás (MP-GO) ofereceu denúncia por homicídio duplamente qualificado contra o policial civil pela morte do jovem.
Denúncia
No dia 10 de junho, o Ministério Público de Goiás (MP-GO) ofereceu denúncia por homicídio duplamente qualificado contra o policial civil pela morte do jovem.
Levy Moura é acusado de atirar no peito de Luan na Pecuária (Foto:
Reprodução/TV Anhanguera)
Para
o promotor de Justiça Maurício Gonçalves de Camargo, a vítima não participava
da briga que resultou no crime, o que caracteriza como motivação fútil. Ele
também argumenta que o tiro surpreendeu o jovem, o que dificultou a defesa de
Luan.
Segundo o MP, Luan estava a aproximadamente 15 metros do local onde começou a confusão, mas aproximou-se, apenas por curiosidade, para ver o que estava acontecendo. De acordo com testemunha, a vítima não sabia que Levy estava armado, tanto que após ser atingido falou “ai ai, ele é doido, ele está armado, ele deu um tiro no meu peito."
Em entrevista à TV Anhanguera no dia 28 de maio de 2013, Levy Moura afirmou que não tinha intenção de atirar em ninguém ao sair de casa. Ele argumentou que agiu em legítima defesa. "Tenho em mente que não sou um criminoso", ressaltou.
O policial reforçou a versão de que agiu para se defender de ladrões que teriam acabado de roubar a câmera fotográfica da namorada dele. Ele afirmou que queria proteger sua família, mas que não pretendia atirar em Luan.
Segundo o MP, Luan estava a aproximadamente 15 metros do local onde começou a confusão, mas aproximou-se, apenas por curiosidade, para ver o que estava acontecendo. De acordo com testemunha, a vítima não sabia que Levy estava armado, tanto que após ser atingido falou “ai ai, ele é doido, ele está armado, ele deu um tiro no meu peito."
Em entrevista à TV Anhanguera no dia 28 de maio de 2013, Levy Moura afirmou que não tinha intenção de atirar em ninguém ao sair de casa. Ele argumentou que agiu em legítima defesa. "Tenho em mente que não sou um criminoso", ressaltou.
O policial reforçou a versão de que agiu para se defender de ladrões que teriam acabado de roubar a câmera fotográfica da namorada dele. Ele afirmou que queria proteger sua família, mas que não pretendia atirar em Luan.
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