Sistema foi feito com a ajuda de estudantes de uma escola pública de Goiás. Resultado rápido surpreendeu a instituição, que pretende ampliar o projeto.
Pelo celular, alunos aprendem filosofia em escola pública
de Nerópolis (Foto: Paula Resende/ G1)
A
relação entre um professor com ânsia de mudança no sistema de educação e alunos
dispostos a ajudar revolucionou as aulas de filosofia de uma escola pública de Nerópolis, na
Região Metropolitana de Goiânia. Juntos, eles desenvolveram uma plataforma
virtual para estudar a disciplina. Acessado por computador ou de qualquer
aparelho de celular com acesso à internet, o sistema trouxe resultados
surpreendentes e foi a solução para evitar o uso indevido de telefone na sala
de aula. “Não tinha interesse nenhum pela filosofia. Mudou completamente minha
visão e fez com que eu passasse a ver o mundo com outros olhos”, afirma o
estudante Josué Ricardo Ferreira Gomes, de 17 anos.
Formado
em filosofia, biologia, teologia e com especialização em direitos humanos,
Gilberto Ramos Ribeiro, 39, é professor há quatro anos. Mesmo quando não
lecionava, sonhava em mudar a forma de ensino. “A escola ainda é a mesma de 80
anos atrás. Essa concepção de escola cerceadora e arcaica me atormentava. Sabia
que podia mudar isso”, afirma.
Um
passo para essa mudança foi o desenvolvimento da plataforma. No site, os alunos
são registrados e têm acesso ao tema de cada aula com antecedência. O professor
disponibiliza textos e, ao final da leitura, os estudantes têm que responder um
teste, que tem um tempo limite para ser feito, conforme a quantidade de
perguntas. Às vezes, as respostas são objetivas e outras, dissertativas.
“Avalio
o aluno por ali também. Extraclasse, ele tem que ler e responder às questões
para ganhar nota. O dispositivo acusa quem fez ou não, por isso é exclusivo dos
nossos alunos. Depois, em sala de aula, a gente discute o tema e faz outras
atividades. Temos uma aula presencial por semana. Com o sistema, o tempo de
estudo de filosofia quase triplicou”, explica Gilberto.
Mas,
antes de desenvolver a plataforma, o professor tinha feito outras tentativas de
usar a tecnologia a favor do aprendizado. A primeira delas foi a criação de uma
página no Facebook. “Deu certo no começo, mas já não era o suficiente e lá os
alunos misturavam com a vida pessoal. Assim não serve para o estudo”, afirmou.
No
início deste ano, ele se mudou de Jaraguá (GO) para Nerópolis e passou a dar
aulas de filosofia, biologia e espanhol no Colégio Estadual Dr. Negreiros. Foi
onde ele teve a ideia de criar o sistema online.
Buscando
práticas de educação que deram certo, Gilberto leu sobre uma plataforma criada
por uma professora de uma escola particular do Rio de Janeiro: “Vi que se
fizesse aqui poderia dar certo. Busquei a secretaria de educação, mas o
processo é demorado, disseram que sairia caro e é um processo. Apesar do apoio
moral, eu queria rapidez, queria isso o mais rápido possível”.
Iniciativa
A solução veio dos próprios alunos. Gilberto contou sobre a ideia em sala de aula e eles de dispuseram a ajudar. “Só estava esperando a oportunidade e a escola proporcionou isso. Consegui alunos que tinham capacidade para isso e se interessaram. Eles tomaram a iniciativa”, ressalta o professor.
A solução veio dos próprios alunos. Gilberto contou sobre a ideia em sala de aula e eles de dispuseram a ajudar. “Só estava esperando a oportunidade e a escola proporcionou isso. Consegui alunos que tinham capacidade para isso e se interessaram. Eles tomaram a iniciativa”, ressalta o professor.
Um
dos quatro adolescentes que ajudaram a construir a plataforma, Cassiano
Henrique Figueiredo Lima, de 16 anos, explica que eles gostam de computação,
mas ninguém possui formação da área. “Cada um fez um pouco. A gente fez uma
vaquinha de R$ 50 para pagar a hospedagem do site, o provedor”, diz o aluno. Em
duas semanas, o sistema estava pronto
Matheus foi o primeiro a acessar a plataforma (Foto: Paula Resende/
G1)
Alunos
interessados
A plataforma é direcionada aos cerca de 200 alunos que cursam o 3º ano do ensino médio, que se preparam para o vestibular. A coordenação do Dr. Negreiros se certificou que todos tinham acesso à internet. "Muitos não têm computador em casa, mas vimos que todos do 3º ano acessavam a internet pelo celular. Só uma aluna que não tem aparelho com essa capacidade, mas ela entra na plataforma com um colega ou pega o celular das professoras", explica a coordenadora pedagógica da escola, Maria Helena Rodrigues.
A plataforma é direcionada aos cerca de 200 alunos que cursam o 3º ano do ensino médio, que se preparam para o vestibular. A coordenação do Dr. Negreiros se certificou que todos tinham acesso à internet. "Muitos não têm computador em casa, mas vimos que todos do 3º ano acessavam a internet pelo celular. Só uma aluna que não tem aparelho com essa capacidade, mas ela entra na plataforma com um colega ou pega o celular das professoras", explica a coordenadora pedagógica da escola, Maria Helena Rodrigues.
Primeiro
a acessar a plataforma, o aluno Matheus Alves dos Santos, de 19 anos, é surdo,
o que, para a coordenação do colégio, mostra a inclusão do projeto. Para
Gilberto, o adolescente e os demais estudantes mudaram completamente a postura
e a dedicação com o uso do dispositivo.
“Eles
estão mais motivados, envolvidos, atentos. Filosofia era a matéria mais
crítica, achavam chato, agora, falam no dia a dia de Immanuel Kant, Nietzsche e
René Descartes. Eles passaram a acertar as questões brilhantemente. Tem que
investir em tecnologia. O livro tem que ser adaptado ao aluno”.
O
sistema também facilitou a vida do professor. “Não preciso implorar mais para
eles estudarem. A aula é um grande debate filosófico. Facilitou a minha vida.
Não perco tempo escrevendo as coisas no quadro ou dependendo de xerox”,
relatou.
Alunos vão além do livro e estudam pelo celular (Foto:
Paula Resende/ G1)
De
problema a solução
O uso de celular em classe era um problema para a escola, pois os alunos acessavam as redes sociais ou assistiam a vídeos durante as aulas. Com a plataforma, o que era motivo de preocupação, se transformou em solução para incentivar o aprendizado. “O celular era um problema, os alunos não sabiam usar a favor deles. Desde que haja planejamento prévio, os professores têm usado o aparelho em aulas”, afirma a coordenadora pedagógica.
O uso de celular em classe era um problema para a escola, pois os alunos acessavam as redes sociais ou assistiam a vídeos durante as aulas. Com a plataforma, o que era motivo de preocupação, se transformou em solução para incentivar o aprendizado. “O celular era um problema, os alunos não sabiam usar a favor deles. Desde que haja planejamento prévio, os professores têm usado o aparelho em aulas”, afirma a coordenadora pedagógica.
Trabalhando
há 20 anos na unidade, a coordenadora conta que eles se surpreenderam com a
rapidez do resultado. “Não tínhamos pensado que seria tão imediato o resultado.
Tem facilitado, os alunos chegam na sala de aula com conhecimento prévio e
também buscam além do que foi proposto”, explicou.
Estudantes acessam o sistema dentro e fora de sala de aula (Foto: Paula
Resende/ G1)
Para
expandir o projeto, o professor já pediu à Secretaria Estadual de Educação que
um técnico de informática ajude a desenvolver o site, adicionando mais
aplicativos e tornando-o mais prático. “O site é muito básico ainda. Precisamos
de um profissional da área de tecnologia para fazê-lo crescer”.
Gilberto
acredita que no próximo semestre já será possível adicionar à plataforma o
conteúdo das outras matérias que leciona. “Os próprios alunos querem. É o
interesse pelo novo e atual. Alguns professores também já vieram falar comigo”.
Apesar
de ser direcionada aos alunos do 3º ano, a página deve ser expandida a todos os
estudantes. “A intenção é expandir para toda a escola. Estamos vendo pelo
trabalho do professor que este é o caminho”, afirmou a coordenadora pedagógica.
Fonte
e foto: G1 - Goiás
Edição:
Nova Glória News
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