Ela foi assassinada ao sair de uma padaria, em dezembro de 2010. Médico que era amante da vítima é acusado de ser mandante; defesa nega.
Andréia Honostório foi assassinada com um tiro na nuca, em
Goiânia (Foto: Arquivo pessoal)
A
família da enfermeira Andréia Cristina Honostório, 38 anos, assassinada com um
tiro na nuca no dia 2 de dezembro de 2010, em Goiânia, cobra o julgamento dos
acusados pelo crime. De acordo com o Ministério Público Estadual de Goiás
(MP-GO), que ofereceu denúncia à Justiça, o mandante do assassinato foi o
médico Clóvis Batista Castanheira, 62, que mantinha um relacionamento
extraconjugal com a vítima. A defesa dele nega as acusações.
O tema desta reportagem foi sugerido por um leitor pela ferramenta de jornalismo colaborativo VC no G1. Você também pode participar enviando sua colaboração. Saiba como.
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O
promotor Maurício Gonçalves, responsável pelo caso no MP-GO, informou ao G1 que o médico temia
que sua amante fosse descoberta pela família e isso motivou o crime. “Os dois
tiveram um relacionamento por mais de 10 anos e chegaram a ter um filho. Tudo
ia bem até a mulher se mudar para Goiânia e, com medo
de ter a traição revelada, Clóvis escolheu o pior caminho e mandou executar a
mulher”, afirmou.
Andréia morreu após ser baleada no meio de uma rua no Setor Pedro Ludovico. Ela havia deixado o filho na escola e passou em uma padaria do bairro. Quando voltava para o apartamento em que morava, foi abordada por André Luiz Borges, 44, que efetuou o disparo, conforme as investigações. A mulher morreu na hora e o homem fugiu com seu comparsa, Danilo Lúcio da Silva, 31, em uma motocicleta. A Polícia Civil passou a investigar o caso e os suspeitos pelo crime só foram presos em outubro de 2011.
Andréia morreu após ser baleada no meio de uma rua no Setor Pedro Ludovico. Ela havia deixado o filho na escola e passou em uma padaria do bairro. Quando voltava para o apartamento em que morava, foi abordada por André Luiz Borges, 44, que efetuou o disparo, conforme as investigações. A mulher morreu na hora e o homem fugiu com seu comparsa, Danilo Lúcio da Silva, 31, em uma motocicleta. A Polícia Civil passou a investigar o caso e os suspeitos pelo crime só foram presos em outubro de 2011.
“Na
delegacia, o André, que morava em Pontalina [114 km de Goiânia] confirmou que
havia sido contratado por Clóvis para matar a enfermeira. Mais tarde, em juízo,
ele voltou atrás e disse que, na verdade, teria ido ao encontro dela para
cobrar uma nota promissória. Mas temos elementos claros que provaram que o
médico encomendou a morte”, explicou o promotor.
Ao
G1, o
advogado que defende Clóvis, Thales José Jayme, informou que o médico nega
qualquer envolvimento no crime. “Não existem nos autos do processo qualquer
ligação telefônica, comprovante de transações bancárias ou qualquer outro item
que faça a ligação do médico com os outros suspeitos no caso. A única prova de
que ele seria o mandante do crime foi o relato do executor na delegacia, o que
mais tarde, em juízo, foi negado. Sendo assim, está mais do que claro que o Clóvis
não tem nada a ver com a morte da Andréia”, afirmou.
O
advogado confirmou que a enfermeira era amante do médico, mas garante que os
dois mantinham um bom relacionamento. “Isso tanto é verdade que a relação dos
dois durou mais de 10 anos e resultou em um filho, com quem Clóvis tem contato
até os dias atuais. Sendo assim, não existiam motivos para que ele quisesse
matar a mulher. Vizinhos do apartamento onde ela morava também relataram que
nunca presenciaram problemas entre os dois”, garantiu Thales.
De acordo com o MP-GO, apesar das provas colhidas durante a investigação, o médico nunca chegou a ser preso pelo crime e, desde então, responde em liberdade. Já André, apontado como o atirador, permanece preso, pois também responde por outros casos de “morte encomendada”. Danilo, que conduzia a motocicleta para a fuga, passou alguns dias na prisão, mas desde 2011 aguarda pelo julgamento em liberdade.
O G1 tentou contato com os advogados que defendem André e Danilo, mas eles não foram localizados.
De acordo com o MP-GO, apesar das provas colhidas durante a investigação, o médico nunca chegou a ser preso pelo crime e, desde então, responde em liberdade. Já André, apontado como o atirador, permanece preso, pois também responde por outros casos de “morte encomendada”. Danilo, que conduzia a motocicleta para a fuga, passou alguns dias na prisão, mas desde 2011 aguarda pelo julgamento em liberdade.
O G1 tentou contato com os advogados que defendem André e Danilo, mas eles não foram localizados.
Júri
popular
Maurício Gonçalves explica que o médico e os outros dois envolvidos foram denunciados por homicídio, com qualificação por motivo torpe, que impossibilitou a defesa da vítima. No caso de Clóvis, já foi pedido, inclusive, que ele seja levado a júri popular. “Neste momento, a Justiça analisa um recurso interposto pela defesa dele, que desde o começo do processo usa de todos os recursos possíveis para retardar o julgamento. Agora vamos aguardar se a Justiça realmente vai acatar o nosso pedido e que ele possa ser, de fato, julgado pelo crime que cometeu”, ressaltou o promotor.
Maurício Gonçalves explica que o médico e os outros dois envolvidos foram denunciados por homicídio, com qualificação por motivo torpe, que impossibilitou a defesa da vítima. No caso de Clóvis, já foi pedido, inclusive, que ele seja levado a júri popular. “Neste momento, a Justiça analisa um recurso interposto pela defesa dele, que desde o começo do processo usa de todos os recursos possíveis para retardar o julgamento. Agora vamos aguardar se a Justiça realmente vai acatar o nosso pedido e que ele possa ser, de fato, julgado pelo crime que cometeu”, ressaltou o promotor.
O
advogado do médico diz que, caso o Superior Tribunal de Justiça entenda que o
médico deve ir a júri popular, a defesa irá recorrer ao Supremo Tribunal
Federal. “Ele é inocente, continua trabalhando normalmente em um hospital em Aparecida
de Goiânia e esperamos que a Justiça acate a nossa tese. Vamos defendê-la
até o final”, ressaltou Thales.
Para
a família de Andréia, a demora para o julgamento dos acusados faz o sofrimento
aumentar a cada dia que passa. “Ele [Clóvis] continua a seguir a vida
normalmente, como se nada tivesse acontecido. A crueldade foi muito grande e
isso não pode passar impune”, afirmou ao G1
um parente da vítima, que não quis se identificar.
Relacionamento
extraconjugal
Andréia era natural de Piracanjuba, a 83 km de Goiânia, e conheceu Clóvis em um hospital na cidade de Palmelo, a 125 km da capital. De acordo com a família da vítima, ela trabalhava como enfermeira na unidade e ele como médico plantonista. “Ele ia e vinha de Goiânia para dar os plantões no hospital. Aí, eles começaram a se envolver e, depois de alguns anos, ela engravidou. Com isso, o Clóvis passou a manter duas famílias em cidades diferentes. A Andréia sabia da existência da esposa e de dois filhos do amante, mas, mesmo assim, mantinha a relação”, relatou o parente da vítima.
Andréia era natural de Piracanjuba, a 83 km de Goiânia, e conheceu Clóvis em um hospital na cidade de Palmelo, a 125 km da capital. De acordo com a família da vítima, ela trabalhava como enfermeira na unidade e ele como médico plantonista. “Ele ia e vinha de Goiânia para dar os plantões no hospital. Aí, eles começaram a se envolver e, depois de alguns anos, ela engravidou. Com isso, o Clóvis passou a manter duas famílias em cidades diferentes. A Andréia sabia da existência da esposa e de dois filhos do amante, mas, mesmo assim, mantinha a relação”, relatou o parente da vítima.
Após
o nascimento do filho com Clóvis, a enfermeira, que já tinha uma filha mais
velha de outro relacionamento, mudou-se para um apartamento na capital, que era
custeado pelo médico. “Ele pagava todas as despesas dela e do menino e, após um
tempo, ela começou a fazer um curso para ser técnica em laboratório. Tudo
caminhava bem, até que ele resolveu matá-la, deixando o próprio filho sem mãe”,
disse.
Para
os familiares de Andréia, apesar de saber da existência da outra família, ela desejava
regularizar a situação e os dois passaram a ter brigas constantes. “O médico
registrou o filho como sendo dele, mas isso não era o suficiente. Então, ela
queria que ele optasse por oficializar o relacionamento com ela, mas ele não
queria que a aparência de bom pai e bom marido fosse por água abaixo”, afirmou
o familiar da enfermeira.
Na época do crime, o filho da enfermeira com o médico tinha 8 anos. Atualmente, ele mora com familiares em uma cidade do interior de Goiás. “A história é toda muito triste e precisamos de um desfecho para ter alívio. Todos vivem com medo, pois outra pessoa da família já foi vítima de uma tentativa de homicídio e acreditamos que tem relação com esse caso. Por isso, pedimos que a Justiça leve o Clóvis a júri popular e que ele seja preso”, pediu o parente.
O crime
De acordo com o processo do MP-GO, após decidir matar a enfermeira para evitar que a traição fosse descoberta, o médico teria conhecido André Luiz, por meio de um colega de trabalho, e os dois acordaram o pagamento de R$ 25 mil pela morte de Andréia. Como o executor morava em Pontalina e não conhecia Goiânia muito bem, ele contratou Danilo, por R$ 4 mil, para que ele o levasse até o local do crime e depois o ajudasse a fugir.
Na época do crime, o filho da enfermeira com o médico tinha 8 anos. Atualmente, ele mora com familiares em uma cidade do interior de Goiás. “A história é toda muito triste e precisamos de um desfecho para ter alívio. Todos vivem com medo, pois outra pessoa da família já foi vítima de uma tentativa de homicídio e acreditamos que tem relação com esse caso. Por isso, pedimos que a Justiça leve o Clóvis a júri popular e que ele seja preso”, pediu o parente.
O crime
De acordo com o processo do MP-GO, após decidir matar a enfermeira para evitar que a traição fosse descoberta, o médico teria conhecido André Luiz, por meio de um colega de trabalho, e os dois acordaram o pagamento de R$ 25 mil pela morte de Andréia. Como o executor morava em Pontalina e não conhecia Goiânia muito bem, ele contratou Danilo, por R$ 4 mil, para que ele o levasse até o local do crime e depois o ajudasse a fugir.
Quando
os suspeitos foram presos e confessaram o assassinato na Delegacia Estadual de
Investigações de Homicídios (DIH), Clóvis foi convocado a depor e negou
qualquer envolvimento com o crime. “No entanto, ele confirmou que mantinha um
relacionamento com a vítima. Um pedido de prisão contra ele chegou a ser
pedido, mas o Judiciário negou, pois considerou que ele tinha residência fixa e
emprego lícito”, explicou o promotor Maurício Gonçalves.
Fonte
e foto: G1 - Goiás
Edição:
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