Mantido por voluntários, abrigo foi criado para receber os cães, em Goiânia. Usados em lutas, alguns animais ainda possuem ferimentos e cicatrizes.
Cães resgatados se recuperam dos maus-tratos no Recanto
dos Pit bulls (Foto: Vitor Santana/G1)
Após
serem resgatados há um ano, os 56 pit bulls que sofriam maus-tratos em uma
chácara de Aparecida
de Goiânia, na Região Metropolitana da capital, se recuperam dos traumas
sofridos em um abrigo, criado especialmente para acolher esses animais. Agora,
eles aguardam pela adoção. Desde que foram retirados do antigo canil por
suspeita de serem usados para lutar em rinhas, em março do ano passado, os cães
estão sob a guarda da Associação Recanto dos Pit Bulls. A definição aconteceu
depois de uma longa batalha judicial.
O
local, em Goiânia, é gerenciado por membros de grupos de proteção aos animais e
conta com “padrinhos” para manter a estrutura. No Recanto, os animais receberam
todos os atendimentos veterinários necessários para tratar as doenças e
diversas feridas que tinham. Até hoje, alguns dos cachorros possuem cicatrizes
pelo corpo causadas por brigas. Pelo fato de terem sido criados para lutas,
mesmo após o resgate, os pit bulls ainda precisam ser mantidos em canis
individuais para evitar que continuem atacando uns aos outros.
“Alguns
deles até convivem com outros cachorros, mas, por segurança, nós os mantemos
separados para que não se machuquem novamente”, explicou ao G1 a diretora da
associação, Meibel Veríssimo. Porém, os voluntários que atuam no canil
desenvolvem um trabalho para readaptar os cães ao convívio com as pessoas, para
que possam ganhar novos lares.
De
acordo com Meibel, será feito um rígido processo de seleção dos candidatos para
garantir que os cachorros não passem por novos maus-tratos ou abandonos. “Nós
sabemos que vamos perder boas adoções com esse processo, mas é necessário para
garantir que esses cães não sofram mais”, relatou a diretora do abrigo.
Pit bulls têm horários para brincar e se exercitar no abrigo (Foto: Vitor
Santana/G1)
Os
interessados em adotar os cães devem, primeiramente, fazer visitas semanais aos
sábados ao Recanto dos Pit Bulls para conhecer e se aproximar dos cães. Essas
visitas também servem para que os voluntários do abrigo também analisem o
perfil de cada candidato, para saber se será um bom dono e se a personalidade
do homem e animal combinam.
Em
uma segunda etapa, os responsáveis pelo Recanto vão visitar a casa do candidato
para saber se existem condições adequadas para o cachorro e também se o local é
seguro, evitando que o cão pule grades ou portões e fuja. “Não é fácil achar
pessoas que queiram adotar um pit bull e nós vamos fazer um rigoroso processo
de adoção. Por isso, estimamos que demore pelo menos três anos até que todos os
cães ganhem um novo lar”, disse Meibel.
Os
pit bulls resgatados são da linhagem Bellon, desenvolvida geneticamente para as
lutas em rinhas. O perfil se distingue da aparência dos outros cães da mesma
raça, pois os animais têm um porte menor e mais leve. “Eles pesam
aproximadamente 25 kg e são mais ágeis. Essas características fazem com que
eles sejam considerados ideais nesse tipo de briga”, relatou Meibel.
Ainda
segundo a diretora do Recanto dos Pit Bulls, essa linhagem não é comercializada
no Brasil. “O antigo dono deve ter comprado alguns casais fora do país e
começou colocar os cães para reproduzir”, acredita. Devido a essas
características, alguns cachorros chegam a valer R$ 10 mil para os donos de
rinhas.
Doações
O Recanto dos Pit Bulls é mantido com a ajuda de “padrinhos”, que doam mensalmente determinadas quantias para custear as despesas do local. Muitos desses colaboradores aparecem a partir da página do abrigo no Facebook. “Temos um gasto fixo de aproximadamente R$ 15 mil reais. Só com o aluguel do espaço são R$ 2 mil”, disse Meibel.
O Recanto dos Pit Bulls é mantido com a ajuda de “padrinhos”, que doam mensalmente determinadas quantias para custear as despesas do local. Muitos desses colaboradores aparecem a partir da página do abrigo no Facebook. “Temos um gasto fixo de aproximadamente R$ 15 mil reais. Só com o aluguel do espaço são R$ 2 mil”, disse Meibel.
O
local funciona em uma chácara que era usada como canil. No espaço já existiam
40 baias para cães. Após o resgate, voluntários de diversos grupos de proteção
aos animais fizeram um mutirão e construíram mais canis. Atualmente, o local só
abriga apenas os cães resgatados na chácara de Aparecida de Goiânia, pois não
tem espaço para receber novos animais.
Por causa dos maus-tratos, alguns pit bulls ainda têm
cicatrizes (Foto: Vitor Santana/G1)
De
acordo com Meibel, os animais são alimentados duas vezes por dia e os canis
também são lavados diariamente. Como a associação tem apenas um funcionário
contratado, existe um sistema de revezamos para o lazer dos cães. “Como eles
não podem ficar todos juntos, o tratador leva um a um para o playdog, onde o
animal pode brincar e se exercitar livremente por um tempo”, disse a diretora.
Neste espaço, os cães são estimulados a correr e brincar com pneus e bolas que
ficam no local.
O
futuro do Recanto dos Pit Bulls é incerto. Meibel garante que o abrigo
existirá, no mínimo, até todos os animais serem adotados. Porém, não descarta
que o canil continue existindo após esse período, caso existam outros casos de
maus-tratos aos animais. “Enquanto houver maldade humana, nós estaremos aqui.
Depois dos pit bulls, outras raças serão usadas para essas brigas”, disse.
Para não se machucar, os cães saem para brincar separadamente (Foto:
Vitor Santana/G1)
Disputa
judicial
Os animais foram localizados no dia 8 de março do ano passado, depois que policiais militares resolveram apurar uma denúncia anônima de porte ilegal de armas. Chegando ao local, além de comprovarem o crime, encontraram 57 cães vivendo em situação de abandono - um deles morreu no decorrer deste período. Outros 55 galos e 20 porcos também foram localizados na chácara. Veterinários que avaliaram os animais acreditam que eles participavam de rinhas.
Os animais foram localizados no dia 8 de março do ano passado, depois que policiais militares resolveram apurar uma denúncia anônima de porte ilegal de armas. Chegando ao local, além de comprovarem o crime, encontraram 57 cães vivendo em situação de abandono - um deles morreu no decorrer deste período. Outros 55 galos e 20 porcos também foram localizados na chácara. Veterinários que avaliaram os animais acreditam que eles participavam de rinhas.
Por
conta da situação, o Ministério Público Estadual de Goiás (MP-GO) ofereceu
denúncia de maus-tratos contra o antigo dono. Ao saber do fato, Meibel requereu
e ganhou na Justiça a tutela provisória dos cães. No dia 11 de abril do ano
passado, ela foi até a chácara, que fica no Setor Jardim Continental, e
resgatou os bichos.
Desde
então, o Recanto dos Pit Bulls brigava na Justiça pela guarda definitiva dos
cães. Em audiência no último dia 1º deste mês, o antigo criador dos cães
aceitou um acordo oferecido pelo MP para evitar que ele fosse julgado pelo
crime.
No
acordo, ficou decidido que o suspeito de maus-tratos abriria mão da guarda dos
animais e também deveria pagar multa de dois salários mínimos. “Esse é um
direito previsto em lei, pois o antigo dono tinha bons antecedentes. Agora, ele
não pode mais usar esse benefício por cinco anos”, explicou ao G1 a juíza Liliam
Margareth da Silva Ferreira.
Voluntárias
se revezam para cuidar dos pit bulls resgatados dos maus-tratos (Foto: Vitor
Santana/G1)
Fonte
e foto: G1 - Goiás
Edição:
Nova Glória News
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