ONG mexicana analisou dados de homicídios registrados no ano passado. Na comparação com cidades brasileiras citadas, capital ocupa o 10º lugar.
A
cidade de Goiânia
aparece na 28ª posição em um ranking, elaborado pela ONG mexicana Conselho
Cidadão para Segurança Pública e Justiça Penal, das cidades com as maiores
taxas de homicídio no mundo.
Mãe
de Luan diz que dor não passa: 'Sofrimento dia após dia' (Foto:
Fernanda Borges/G1)
O
acusado pela morte do jovem é o policial civil Levy Moura, que chegou a ser
preso na época do crime, mas agora responde em liberdade. Ele já foi denunciado
pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO) e aguarda do julgamento.
Imagens
gravadas por um cinegrafista amador, que não quis se identificar, mostram como
o crime aconteceu. No vídeo, três homens aparecem em luta, no meio da arena
do Parque de Exposições. Segundo Levy relatou à polícia, ele e o filho tentavam
imobilizar um homem, apontado como amigo de Luan, que teria roubado a câmera
fotográfica da namorada do policial. A vítima só aparece nas imagens pouco
antes de ser baleada com um tiro no peito. O jovem chegou a ser socorrido, mas
morreu no Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo).
Para
Hilma, dez meses após o crime, a dor da família permanece a mesma. “Até hoje
não consegui me desfazer das coisas dele e o quarto permanece intacto. Entro lá
apenas para fazer a limpeza e sei que não faz sentido manter tudo ali. Mas ao
mesmo tempo também não consigo tirar nada. O buraco no peito é grande demais”,
ressaltou a mãe, que pede Justiça: “Sei que nada vai trazer o Luan de volta,
mas vê-lo condenado será um alívio”, afirmou.
Tráfico
de drogas
Indo além do sofrimento das pessoas que perderam entes queridos, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil em Goiás (OAB-GO), Henrique Tibúrcio, ressalta que o problema dos homicídios nas grandes cidades está, na maioria das vezes, ligado ao tráfico de drogas.
Indo além do sofrimento das pessoas que perderam entes queridos, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil em Goiás (OAB-GO), Henrique Tibúrcio, ressalta que o problema dos homicídios nas grandes cidades está, na maioria das vezes, ligado ao tráfico de drogas.
“Não
vejo como podemos encontrar uma solução para os assassinatos se ela não for
pensada de maneira global, pois grande parte das mortes está diretamente ligada
ao tráfico. Mesmo quando ela ocorreu em função de um roubo, quando você analisa
a fundo, muitas vezes descobre que aquele ato criminoso foi cometido para
financiar o vício. E daí por diante”, afirmou em entrevista ao G1.
Tibúrcio
diz que as autoridades de Goiânia devem realizar ações de combate a violência,
mas que não adianta que essas medidas não sejam compartilhadas por outras cidades
brasileiras. “É preciso que seja criado no Brasil um sistema para que as
Secretarias de Segurança Pública de todo o país trabalhem com um único meio de
inteligência, pois quando o cerco aos criminosos é feito em um estado, eles
migram para outra área. Sendo assim, é um círculo vicioso que não tem fim”,
destacou.
O
presidente da OAB-GO afirma não ter dúvidas de que a repressão ao tráfico de
drogas vai ajudar a reduzir o índice de homicídios em Goiânia e no país como um
todo. “Claro que existem outros fatores, como a necessidade de investimentos em
educação, saúde e em capacitação profissional, mas se o governo federal
endurecer o combate às drogas nas fronteiras, essa realidade poderá mudar a
longo prazo”, concluiu Tibúrcio.
Assessora parlamentar, Ana Maria Duarte foi morta em
Goiânia (Foto: Reprodução/ TV Anhanguera)
Casos
recentes
Neste ano, a situação dos homicídios continua a preocupar os moradores de Goiânia. De acordo com dados da SSP-GO, nos dois primeiros meses, 86 pessoas foram assassinadas na capital. O número ficou acima do registrado no mesmo período do ano passado, quando foram 81 mortes.
Um
deles ocorreu no último dia 19 de fevereiro, no centro da capital. Câmeras de
segurança de um prédio mostraram o assassinato da estudante Wanessa de Almeida
Ramos, 19 anos. Ela
saia de um colégio, quando levou um tiro nas costas ao tentar fugir de um
assalto.
Os
responsáveis pelo crime foram presos no início de março e uma mulher, apontada
como autora do tiro, tem a mesma idade da vítima. Ela já responde por outros
seis homicídios, segundo a polícia. “Ela é uma das pessoas com mais
periculosidade das quais eu já investiguei”, afirmou o delegado Maurício
Massanobu.
Cerca
de um mês depois outro crime chocou os goianienses.
Foi o assassinato da assessora parlamentar Ana Maria Duarte, 26 anos, que
estava em uma lanchonete no Setor Bela Vista com o namorado e uma amiga, quando
um suposto assaltante os abordou. O homem recolheu os celulares das vítimas e
Ana Maria disse que não portava o equipamento. Ele disparou no peito da jovem e
fugiu sem levar nada.
Segundo
a ONG, o ranking é elaborado baseado no cálculo do número de homicídios
registrados em cada cidade, dividido pelo número de habitantes e multiplicado
por 100 mil. Para ser estudada, a cidade precisa ter uma unidade urbana
definida e ter mais de 300 mil habitantes.
No
caso de Goiânia, a taxa de homicídios por 100 mil habitantes no ano passado
ficou em 44,56. Para a Organização Mundial da Saúde (OMS), a partir da taxa de
10 para 100 mil habitantes já é considerado que há uma epidemia de violência na
cidade.
De
acordo com dados da Secretaria de Segurança Pública de Goiás (SSP-GO), 589
homicídios foram registrados na capital no ano passado. Com o resultado,
Goiânia liderou o ranking das cidades goianas, que registraram 2.576
assassinatos no total de 2013.
O
secretário de Segurança Pública de Goiás, Joaquim Mesquita, informou, em nota,
que desconhece a metodologia usada na pesquisa da ONG e que, por isso, prefere
não se pronunciar sobre o assunto.
Vítimas
Quem foi vítima da violência sente na pele como é viver em uma cidade com uma alta taxa de homicídios. A comerciante Hilma Ramos de Oliveira, mãe de Luan Vitor de Oliveira e Sousa, 20 anos, assassinado em maio do ano passado durante um show na Pecuária de Goiânia, diz que a vida da família nunca mais foi a mesma. “É um sofrimento dia após dia", afirma.
Quem foi vítima da violência sente na pele como é viver em uma cidade com uma alta taxa de homicídios. A comerciante Hilma Ramos de Oliveira, mãe de Luan Vitor de Oliveira e Sousa, 20 anos, assassinado em maio do ano passado durante um show na Pecuária de Goiânia, diz que a vida da família nunca mais foi a mesma. “É um sofrimento dia após dia", afirma.
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