Os familiares dos passageiros estão
furiosos com a falta de informação
Familiares dos passageiros vivem
novela dolorosa com sumiço de avião na Malásia AFP
Muito
já se especulou sobre o voo MH-370 da Malaysia Airlines desaparecido desde o
dia 8 de março, quando ia de Kuala Lumpur, na Malásia, a Pequim, na China. Mais
de duas semanas depois, porém, não parece haver avanço para se desvendar o
mistério do sumiço da aeronave. De acordo com o premiê malaio, Najib
Razak, especialistas concluíram por meio de imagens de satélite que o
avião caiu em algum lugar no sul do Oceano Índico, a oeste da Austrália.
As
famílias das 239 pessoas a bordo precisam, agora, aceitar que não há mais
esperança de encontrar seus entes queridos. No entanto, como acreditar em um
fato se ninguém apresentou provas concretas?
A
conclusão oficial, além disso, não dá respostas sobre o que realmente aconteceu
com a aeronave. A seguir, cinco perguntas que ainda precisam ser respondidas,
segundo o jornal britânico Mirror News.
1.
Como sabemos que o avião caiu se não há a confirmação de que os destroços foram
encontrados?
É
frequente que os investigadores saibam onde um avião caiu mesmo que ainda não
tenham achado os destroços. Às vezes, podem-se passar anos antes que as partes
da aeronave sejam encontradas, inclusive a crucial caixa preta.
Os
cálculos oficiais definiram que o avião está em alguma área ao sul do Oceano
Índico. No entanto, o mar nessa região pode ter até sete quilômetros de
profundidade, e é possível que as correntes marítimas tenham arrastado os
destroços por um longo caminho durante as duas últimas semanas.
Ainda
assim, até mesmo uma pequena parte do avião poderia ser suficiente para os
investigadores definirem se a aeronave explodiu ou caiu, por exemplo.
2.
A caixa preta será algum dia encontrada?
Em
qualquer desastre aéreo, a prova mais importante é sempre a caixa preta do
avião. Este equipamento (que na verdade é laranja) grava todos os dados do voo,
é desenhado para resistir a qualquer impacto e, sem ele, nunca se saberá
realmente o que aconteceu.
As
equipes de busca estão correndo contra o tempo para encontrar a caixa preta,
pois a bateria do seu sinal localizador dura apenas cerca de 30 dias. É
possível encontrá-la ainda sem a ajuda do localizador, mas isso seria muito
mais difícil.
Quando
o voo 447 da Air France desapareceu perto do Brasil, demorou dois anos para que
a caixa-preta fosse encontrada.
3.
Por que nenhum dos passageiros tentou se comunicar antes de o avião cair?
Como
pode um avião mudar de rota e voar cerca de sete horas na direção contrária sem
ninguém perceber? Se os passageiros tivessem se dado conta de que estavam em
perigo, eles não teriam tentado fazer ligações ou mandar mensagens de texto?
Especialistas
afirmam que voar acima de 10 mil pés (cerca de 3 km) e em alta velocidade
significa que ninguém a bordo conseguiria ter sinal de celular. No entanto,
algumas pesquisas dizem que o avião ficou abaixo de 5 mil pés em um momento.
É
possível que os passageiros não tivessem percebido o perigo? Uma das teorias
mais dramáticas é a de que, se a queda do avião foi intencional, o piloto pode
ter incapacitado todos a bordo ao despressurizar o avião enquanto era o único a
utilizar máscara de oxigênio.
4.
Como ninguém avisou que o avião estava totalmente fora de rota?
Mesmo
que todos os passageiros estivessem incapacitados ou não tivessem se dado conta
de que algo estava errado, como o avião evitou ser detectado por outros
radares?
Na
última semana, os investigadores disseram que a última localização conhecida do
voo MH-370 era no oeste da Malásia. Ele pode ter voado quilômetros por um
corredor ao norte ou outro ao sul, baseado em estimativas de quanto combustível
o avião teria no tanque.
A
rota mais ao sul, até agora, é a mais provável, pois a norte passa por diversos
países e é impossível que a aeronave não fosse detectada em nenhum momento. O
avião teria sobrevoado países com um espaço aéreo extremamente vigiado, como
Índia, China e Paquistão.
Ainda
assim, e o espaço aéreo entre a Malásia e o sul do Oceano Índico? Um avião
poderia passar por ali sem ser detectado por nenhum radar?
Segundo
Michel Colomès, colunista do site francês Le Point.fr, a aeronáutica malaia
cometeu uma série de erros em relação ao voo MH-370. O sistema de defesa
do país se mostrou incapaz de encontrar o rastro de um avião que havia, no
entanto, aparecido nos radares.
Existem
dois tipos de radares: os civis e os militares. Os primeiros recebem apenas as
informações que lhes são transmitidas, enquanto os segundos captam tudo o que
se mexe no espaço aéreo de um país.
No
caso do voo MH-370, já se sabe que os sistemas de transmissão automática
pararam bruscamente de emitir sinais, o que pode significar ou que alguém os
desligou, ou que houve alguma falha mecânica.
Entretanto,
os radares da defesa aérea da Malásia haviam percebido uma aeronave que se
acredita ser o voo MH-370. Eles até tinham demonstrado que o avião tinha uma
conduta estranha, que mudou de rota e altitude várias vezes. Todas essas
manobras eram claramente irregulares e precisaram de muito tempo para serem
feitas. Em nenhum momento a aeronáutica malaia agiu, ainda que continuasse
observando tudo o que estava acontecendo.
Esta
atitude é completamente irregular para uma aeronáutica. Em caso de dúvida sobre
a trajetória de um avião e na falta de uma identificação segura, é preciso
imediatamente começar a perguntar aos aeroportos próximos e às companhias
aéreas toda e qualquer informação sobre aquela aeronave. E, se não é possível
encontrar nada, deve-se enviar um caça para fazer a identificação visual.
Nada
disto foi feito pela defesa aérea malaia.
5.
O capitão e/ou o co-piloto estavam envolvidos?
Uma
das poucas conclusões que se tem até agora é que a mudança de rota foi uma ação
intencional de alguém dentro do voo.
O
voo MH-370 mudou pelo menos duas vezes de rota. De início, voou de volta na
direção da Malásia, para o sul; em seguida, foi para noroeste.
O
Primeiro-ministro malaio, Razak, declarou que “nós podemos dizer com um alto
grau de certeza que as comunicações da aeronave foram desativadas logo antes de
o avião chegar à costa da Malásia peninsular. Logo depois, o transponder foi
desligado”. A partir deste ponto, o radar da Força Aérea Real Malaia detectou
uma aeronave que se acredita ser o voo MH-370 mudando constantemente de rota.
Estes movimentos só poderiam ser ações deliberadas de alguém dentro do voo.
As
atenções voltaram-se para o capitão, Zaharie Ahmed Shah, para o co-piloto,
Fariq Hamid, e para qualquer um que pudesse ter conhecimentos de aviação dentro
do avião. Afinal, para desligar todas as comunicações e voar uma longa
distância é necessário ter experiência em pilotar.
Investigadores
dizem que as hipóteses de terrorismo, falha mecânica ou incêndio a bordo ainda
não foram descartadas. Mas as explicações sobre o que realmente aconteceu ainda
continuam muito distantes.
Fonte
e foto: R7 - Internacional
Edição:
Nova Glória News
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